Duas amigas, uma arquitecta e a outra nem por isso, juntam-se para partilhar a paixão comum por
boa arquitectura e design com uma pitada de fotografia e DIY. Tudo em três minutos ou menos.

 

24/11/2014

O encontro do contemporâneo com o tradicional no Extramuros

De visita ao castelo de Arraiolos, vejo ao longe uma construção branca com alguma dimensão que me chama a atenção. Trata-se da Villa Extramuros, projecto do atelier Voar Arquitectura, nos arredores da vila alentejana de Arraiolos.
Sigo por uma estrada de terra batida até que, por entre um olival, vejo um edifício de dois pisos com uma linguagem assumidamente contemporânea e onde os apontamentos de cortiça reforçam a volumetria das paredes brancas, rasgadas por grandes vãos.
“A arquitectura da Villa, inspirada tanto num “castro” romano como na histórica arquitectura conventual [...] presta homenagem aos materiais emblemáticos do Alentejo: a pedra de mármore, as paredes brancas e a cortiça” refere a página de Internet deste estabelecimento.
Sou simpaticamente recebida por um dos proprietários, oriundo de Paris, que me guia através das áreas comuns: um pátio que, tal como nos claustros conventuais, une os espaços que o circundam; uma sala de refeições; salas de estar; e os cinco quartos que se encontram no piso superior (que não pude visitar visto estarem ocupados).
No exterior, facilmente se absorve e somos absorvidos pela tranquilidade do olival e da piscina de transbordo com vista para o Castelo de Arraiolos.
Interessante é também a estratégia utilizada na decoração, onde se alia o design dos anos 50 até aos dias de hoje, com artesanato local.

Ana

Foto ©Adrià Goula. Via: http://www.archdaily.com/
Foto ©Adrià Goula. Via: http://www.archdaily.com/
Foto ©Adrià Goula. Via: http://www.archdaily.com/
Foto ©Alexandre Gempeler. Via: http://www.wallpaper.com
Foto ©Adrià Goula. Via: http://www.archdaily.com/
Foto ©Alexandre Gempeler. Via: http://www.wallpaper.com
Foto ©Alexandre Gempeler. Via: http://www.archdaily.com/
Foto ©Adrià Goula. Via http://www.wallpaper.com
Foto ©Alexandre Gempeler. Via: http://www.wallpaper.com
Foto ©Alexandre Gempeler. Via: http://www.wallpaper.com
Foto ©Alexandre Gempeler. Via: http://www.archdaily.com

23/11/2014

Projecto TASA - o futuro do artesanato


O projecto TASA – Técnicas Ancestrais, Soluções Actuais – conjuga os materiais e técnicas do artesanato tradicional regional com a inovação estratégica tão importante actualmente: o design, a embalagem e a imagem.
Este projecto é composto por vários artigos que marcam pela inovação em relação aos produtos tipicamente produzidos pelos artesãos. Procura acima de tudo demonstrar que é possível o artesanato ter uma linguagem contemporânea e actual e, como tal, não deve cair no esquecimento, mas antes ser visto como uma profissão do futuro.

Marta.


















Fotos de TASA

20/11/2014

A Boa Safra e o Design Português na Embaixada

Os banners na fachada não deixam margem para dúvidas: chegámos à Embaixada! 
De iniciativa privada (financiado pela EastBanc de Anthony Lanier), o espaço comecial abriu portas no palacete neo-árabe Ribeiro da Cunha em 2013. O projecto de recuperação combina harmoniosamente a arquitectura actual com o gosto romântico do final do século XIX.
O conceito apresenta-se alternativo às grandes superfícies e às marcas mainstream.
É aqui que encontramos a Boa Safra que, para além de editora, é também uma loja que apresenta peças ecológicas de design originais, muitas pela mão de designers portugueses, como Carlos Aguiar, Daniel Pera, Magda Alves Pereira, Lu Barradas, Luís Porém, Samuel Pereira Pinto ou a MOOD.
Pode ver o catálogo da Boa Safra aqui.
E se gostava de ver realizado um projecto de design seu, mas não sabe como, consulte a Boa Safra através da solução Youdesign e concretize o seu sonho!

Ana

Camiseiro. Design Magda Alves Pereira e Daniel Pera.
Via Design Magazine
Mesa. Design Magda Alves Pereira e Daniel Pera.
Consola. Design Magda Alves Pereira e Daniel Pera.
Via Design Magazine


Banco Zero. Design Luís Porém.










Banco de Três Patas. Design Samuel Pinto.
Via www.noema.pt
Candeeiro Eros. Design Daniel Pereira.
Candeeiro Eros. Design Daniel Pereira.
Candeeiro Woody. Design MOOD.
Candeeiro Woody. Design MOOD.

16/11/2014

Mosaico hidráulico - o contador de histórias!


Esta semana li no blog A Ervilha Cor de Rosa um post sobre mosaicos hidráulicos.
 Se há uns anos atrás me afastava deles, actualmente olhar para um chão (ou parede!) de mosaico hidráulico tem um fascínio incrível para mim.
Mas afinal o que é o mosaico hidráulico e qual a sua história? É um tipo de revestimento artesanal feito à base de cimento solidificado por meio de prensas. O mosaico hidráulico teve o seu apogeu entre o fim do século XIX e meados do século XX. A sua origem remonta a 1850 no sul de França, mas difundiu-se em larga escala por Espanha, Itália, Inglaterra e Portugal. Era popular pela sua resistência e qualidades decorativas que permitiam contar autênticas histórias, mas era considerado exclusivo da alta sociedade da época pelo seu fabrico exclusivamente manual.
Com a industrialização dos anos 60 do século passado foi progressivamente substituído pelo aparecimento de outros materiais menos elaborados e mais rentáveis. Acabou por cair em desuso e quase desapareceu. No entanto, nos últimos anos assistimos ao seu resgate ao ser utilizado na arquitectura contemporânea com apontamentos retro e, consequentemente, uma nova fase de grande fabrico do mesmo. Claro que este novo impulso, como tão bem referiu Rosa Pomar no post “mosaico hidráulico 2.0”, este novo impulso traz consequências boas e más. O bom? O novo impulso que a moda do vintage e do retro lhe dá, traz cada vez mais adeptos e cada vez mais fabricantes e, invariavelmente, mais opções.
 O mau? As imitações de má qualidade em que o padrão é impresso.

O verdadeiro mosaico hidráulico continua a ter que ser produzido como o era originalmente uma vez que, apesar dos avanços tecnológicos, ainda não é possível reproduzir industrialmente as cores, o acabamento mate e a textura suave do mosaico artesanal.

Marta.

via pinterest
via pinterest
via oppa

via mosaic del sur
via mosaic del sur
via arquitete
via egue & seta

Decorar uma divisão: regras base

Decorar um divisão pode ser um dom para alguns, mas para muitos é uma tarefa difícil e aterradora.
Se como eu pertence ao segundo grupo, fique a saber que a verdade é que colocamos espectativas demasiado elevadas, temos tendência a pensar demais e no final nada nos parece agradar.
Por isso eu sigo algumas regras básicas na decoração de uma divisão, ou de todas elas!

Escolha uma côr neutral. O branco e o preto são as mais óbvias, mas hoje em dia o cinzento é uma côr muito em voga. Use e abuse da côr neutra escolhida:

via villa extramuros

via desire to inspire

Utilize uma segunda côr contrastante para os pequenos detalhes. Assim irá quebrar a monotonia e trazer vida ao espaço. Eu, pessoalmente, adoro que as cores contrastantes sejam o mais que possível e, preferencialmente garridas!

via villa extramuros
via remodelista
via desire to inspire
Coloque algo pessoal e único na decoração. Uma fotografia, uma pintura, uma ampliação de uma imagem ou até uma pequena colecção de objectos pode trazer a individualidade e personalidade que muitas vezes faltam numa divisão.

via a beautiful mess
via that nordic feeling
via l'ouvrier
via houzz
Lembre-se: menos é mais! Por isso, se quase no final parece estar incompleto... experimente retirar algo e maravilhe-se com o resultado.

Marta.



12/11/2014

O Moderno [cada vez mais] Escondido

Aquando de uma recente viagem a Trás-os-Montes, tive a possibilidade de testemunhar um extraordinário exemplo de urbanismo e arquitectura modernistas portugueses dos anos 50, que Michele Cannatà e Fátima Fernandes, do atelier Cannatá e Fernandes, designaram como “Moderno Escondido” (uma investigação que resultou numa exposição e na edição do livro “Moderno Escondido: Arquitectura das Centrais Hidroeléctricas do Douro 1953-1964: Picote, Miranda, Bemposta”, FAUP Publicações, 1997).


Estalagem para Pessoal Dirigente, recuperada para Pousada 
por Cannatà e Fernandes. Foto platform[az]©
O Complexo Habitacional de Picote, edificado por ocasião da construção das centrais eléctricas do Douro, é da autoria dos arquitectos Archer de Carvalho, Nunes de Almeida e Rogério Ramos, formados na ESBAP, e pretendia ser uma “cidade ideal”, uma cidade nascida do zero, com as infra-estruturas necessárias para ser um sistema auto-suficiente para 4000 mil pessoas.

Casa do Pessoal Dirigente. Foto platform[az]© 
O complexo reflecte as influências modernistas contemporâneas de Le Corbusier e a aplicação dos pressupostos da Carta de Atenas, e o seu cruzamento com a cultura portuguesa e incluiu uma zona com habitações para operários, uma escola, uma igreja, um centro comercial, casas para o pessoal dirigente e uma pousada.

Capela. Foto platfom[az]©
Pousada. Foto platform[az]©
Pousada. Foto platform[az]©
Na minha visita, tive total acesso às Casas do Pessoal Dirigente. Estas encontravam-se abandonadas e, sem qualquer intervenção prevista, continuarão o seu natural (ou por vezes, artificial) processo de degradação. Não obstante, é ainda visível a qualidade dos materiais utilizados: madeiras maciças, azulejos, pedra, entre outros.

Casa do Pessoal Dirigente. Foto platform[az]©
Casa do Pessoal Dirigente. Foto platform[az]©
Casa do Pessoal Dirigente. Foto platform[az]©
Casa do Pessoal Dirigente. Foto platform[az]©
Na filmagem Ruínas de Portugal – O Moderno Escondido (da RR Produções, com imagem de Manuel Barreto e edição de Rui Gonçalves) pode ver-se a já avançada degradação do local.
Casa do Pessoal Dirigente. Foto platform[az]©
Casa do Pessoal Dirigente. Foto platform[az]©
O Empreendimento Hidroeléctrico do Douro Internacional, Picote (1958) está actualmente classificado como CIP – Conjunto de Interesse Público.

Trás-os-Montes revela muitas preciosidades, umas mais, outras menos escondidas.
Boa viagem!

Ana